Como joga o Brasil de Ancelotti? Entenda a nova cara da Seleção Brasileira
Entre lesões, mudanças e expectativas, Carlo Ancelotti tenta construir um Brasil mais competitivo para a Copa do Mundo
A Seleção Brasileira chega à próxima Copa do Mundo cercada por dúvidas, expectativas e mudanças profundas. Depois de um ciclo turbulento, marcado por trocas de treinadores, atuações inconsistentes e dificuldades de desempenho, Carlo Ancelotti assumiu a missão de reorganizar o time em um espaço de tempo extremamente curto.
O problema é que, além da pressão natural de comandar o Brasil, o treinador italiano também precisou lidar com uma sequência pesada de lesões importantes. Nomes como Militão, Estevão, Vanderson e Rodrygo acabaram comprometendo a construção do elenco ideal justamente na reta final de preparação.
Mesmo assim, alguns pilares começam a se consolidar na equipe.
O Brasil não joga exatamente em um 4-2-4
Muito se fala sobre a seleção atuar com “quatro atacantes”, mas a prática é um pouco diferente. Sem a bola, o Brasil de Ancelotti se organiza em um 4-4-2 bastante compacto, formando duas linhas de quatro jogadores.
A ideia do treinador não é transformar a equipe em um time totalmente ofensivo e desorganizado. Pelo contrário: o foco está no equilíbrio.
Casemiro e Bruno Guimarães se tornaram a dupla-base do meio-campo. Casemiro voltou a ser tratado como peça central do sistema, enquanto Bruno aparece como um volante com mais liberdade para participar da construção das jogadas.
Ainda assim, o elenco oferece outras possibilidades. Danilo, por exemplo, ganhou espaço recentemente por sua versatilidade e intensidade, enquanto Paquetá pode atuar tanto mais avançado quanto ao lado dos volantes.
Vinícius Júnior virou o “9” da seleção
A principal transformação do Brasil de Ancelotti está no papel de Vinícius Júnior.
Embora não seja um centroavante tradicional, o atacante passou a atuar muito mais próximo do gol, quase como um segundo atacante. No sistema do treinador italiano, Vinícius deixa de ter obrigações defensivas constantes pelos lados do campo e ganha liberdade para atacar espaços em velocidade.
É uma lógica parecida com aquela utilizada por Ancelotti no Real Madrid.
Sem a bola, Vinícius compõe a dupla ofensiva. Com a posse, pode cair pelos lados, atacar profundidade ou receber em velocidade para explorar transições rápidas — exatamente onde ele é mais perigoso.
Matheus Cunha é mais “camisa 10” do que centroavante
Outro ponto interessante é a função de Matheus Cunha.
Apesar de muitas vezes ser tratado como centroavante, ele atua mais como um articulador ofensivo. Frequentemente recua para participar da construção, aproxima jogadores e conecta os setores ofensivos.
Na prática, o Brasil funciona com Vinícius atacando os espaços enquanto Matheus Cunha organiza o jogo entre as linhas.
Quando Rodrygo estava disponível, o encaixe parecia ainda mais fluido. O atacante do Real Madrid fazia um papel híbrido pela esquerda, ajudando na recomposição e funcionando como um meia criativo por dentro.
Já Estevão, antes da lesão, vinha sendo um dos grandes destaques da era Ancelotti pela capacidade de desequilíbrio individual.
As lesões mudaram completamente o ataque
As ausências de Rodrygo e Estevão obrigaram Ancelotti a redesenhar o sistema ofensivo. Neymar é um candidato natural à titularidade, estando bem fisicamente.
Raphinha ganhou ainda mais importância. O problema é que o jogador vive sua melhor fase atuando de uma maneira muito específica no Barcelona: atacando espaços constantemente e infiltrando nas costas da defesa.
Na seleção, porém, ele talvez precise participar mais da criação.
Isso muda completamente sua dinâmica em campo.
Martinelli surge como opção pelo lado esquerdo, oferecendo velocidade e agressividade, mas sem o mesmo perfil criativo de Rodrygo. Luiz Henrique também aparece como alternativa importante, especialmente entrando no segundo tempo.
A defesa também mudou
Militão vinha se consolidando como lateral-direito da seleção, oferecendo mais equilíbrio defensivo ao sistema. Sua lesão abriu espaço para Wesley, jogador mais agressivo ofensivamente.
A mudança altera bastante o comportamento do time.
Com Wesley, o Brasil ganha profundidade e ultrapassagem. Sem Militão, perde solidez defensiva em jogos mais pesados.
Na lateral esquerda, Alex Sandro e Douglas Santos disputam posição.
Um Brasil mais pragmático?
Talvez essa seja a maior marca de Carlo Ancelotti.
Ao longo da carreira, o treinador italiano sempre demonstrou enorme capacidade de adaptação. Por isso, não seria surpresa ver o Brasil adotando uma postura mais cautelosa em determinados confrontos.
Em vez de controlar a posse de bola o tempo inteiro, a seleção pode baixar linhas, esperar o adversário e acelerar em transições rápidas.
Isso potencializa jogadores como:
Vinícius Júnior
Raphinha
Martinelli
Endrick
É uma abordagem diferente daquela que grande parte da torcida brasileira espera historicamente, mas extremamente eficiente no futebol moderno.
O Brasil chega como favorito?
Talvez não como principal favorito.
Mas segue sendo uma das seleções mais talentosas do mundo.
Mesmo com os desfalques, o Brasil ainda reúne jogadores decisivos e conta agora com um dos maiores treinadores da história do futebol no comando técnico.
O desafio de Ancelotti será transformar um elenco cheio de talento individual em um time sólido, equilibrado e competitivo nos momentos decisivos da Copa do Mundo.
E essa missão já começou.
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