Ambiente conturbado
O Uruguai chega à Copa do Mundo após um período recente muito conturbado. Na reta final de 2025, o trabalho do técnico Marcelo Bielsa parecia estar perto do fim devido ao desgaste no clima interno, tensões, crises de relacionamento e uma derrota pesada para os Estados Unidos. O próprio Bielsa chegou a fazer coletivas criticando a sua própria personalidade.
Apesar das especulações de demissão na virada do ano, Bielsa permaneceu e, em 2026, conseguiu aparar algumas arestas para melhorar o ambiente.
Rochet vinha sendo o titular absoluto do ciclo no gol, mas seu nível recente no Internacional (decorrente de lesões e queda técnica), o coloca em questionamento. Ronaldo Araúj, teve um ciclo instável (incluindo afastamento para cuidar da saúde mental), mas tende a ser o zagueiro pela direita por sua excelente capacidade física de duelo individual. Deve jogar ao lato de Nandez, Oliveira e Piquerez na defesa.
No meio-campo, Fede Valverde é o principal jogador da seleção uruguaia nesta era pós-Cavani e Suárez. O desafio é potencializá-lo sem sobrecarregá-lo. No Uruguai, ele muitas vezes precisa morder, marcar individualmente, armar o jogo, transitar e chutar de fora, o que gera o questionamento de por que não rende tanto quanto no Real Madrid. Bentacur deve jogar ao seu lado, com Arrascaeta podendo jogar no meio, ou no ataque, ao lado de Darwin Nunez. A plataforma tática pode variar, de um 4-2-3-1, para um 4-3-3, e a depender dela, os extremos podem variar, e Ugarte pode ou não entrar no XI titular.
Historicamente, Bielsa é conhecido por querer a posse de bola, mas no Uruguai o ponto forte tem sido a agressividade sem a bola. O Uruguai desfaz as linhas tradicionais para focar nas referências individuais. Os pontas baixam até o fim para marcar os laterais adversários, e os laterais uruguaios por vezes jogam por dentro, perseguindo os meias que flutuam. Essa agressividade extrema para "morder" o adversário muitas vezes passa do limite, transformando o Uruguai em um time extremamente faltoso. Isso picota o jogo e reduz a qualidade técnica e tática da partida (como visto contra o Brasil na Copa América). O time recupera a bola rapidamente, mas ainda peca na criação de jogadas e na imposição através do passe em ataque posicionado, vivendo muito das transições rápidas.
Por conta do último ano desgastante, o Uruguai não chega ao torneio com grandes ambições ou sob alta expectativa externa. No entanto, por estar em um grupo teoricamente acessível, a classificação para as oitavas de final é uma obrigação. Ser eliminado na fase de grupos seria um vexame e consolidaria o trabalho de Bielsa como uma das grandes decepções do futebol recente.
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