O México chega à Copa do Mundo cercado por expectativas e pela necessidade de deixar para trás a imagem negativa construída na edição anterior. Contando com o apoio de sua torcida e com o Estádio Azteca como um de seus principais trunfos, a seleção mexicana busca transformar o fator casa em vantagem competitiva. Não por acaso, as únicas ocasiões em que alcançou as quartas de final ocorreram justamente em Mundiais disputados em território mexicano, em 1970 e 1986. Como um dos países-sede da competição de 2026, a esperança é repetir esse feito e superar os obstáculos que têm marcado sua trajetória recente.
O retrospecto mais próximo aumenta a cobrança. Em 2022, o México ficou abaixo das expectativas ao ser eliminado ainda na fase de grupos, terminando atrás de Argentina e Polônia na classificação. Além disso, a equipe carregava o peso de uma sequência incômoda de sete eliminações consecutivas nas oitavas de final, um ciclo que reforçou a sensação de estagnação e ampliou a pressão por uma campanha mais consistente diante de sua torcida.
Sob o comando técnico atual de Javier Aguirre, a seleção aposta em uma renovação geracional (com jovens como o meia Gilberto Mora ganhando espaço ao lado de veteranos experientes). O planejamento para o gol sofreu um forte impacto com a lesão grave de Luis Malagón no início de 2026, ele que havia sido o titular no título da Copa Ouro em 2025. Esse imprevisto forçou a convocação do veterano Guillermo Ochoa na data FIFA de março. Aos 40 anos e conhecido por crescer em Copas, Ochoa surge como uma sombra e uma liderança experiente, mas a tendência natural é que Tala Rangel assuma a titularidade no mundial.
Tradicionalmente agressivo no ataque, o México tenta controlar a posse no campo do adversário usando um 4-3-3 flexível que se transforma em 3-4-3 na fase de construção. Os laterais sobem muito para dar amplitude. Pela direita, Israel Reyes se estabeleceu com uma função mais defensiva, atuando na base da saída de bola quase como um terceiro zagueiro — tendo Jorge Sánchez como alternativa mais ofensiva. Pela esquerda, Jesús Gallardo é o dono da posição e tem total liberdade para atacar o corredor. No miolo da zaga, o cenário é estável e sem contestação, com a dupla formada por Johan Vásquez e César Montes consolidada após os amistosos de março.
O setor de meio-campo adota uma estrutura baseada no 4-3-3, mas lida com problemas físicos frequentes. O primeiro volante e pilar do time é o experiente Edson Álvarez (autor do gol do título da Copa Ouro contra os Estados Unidos), mas suas lesões recentes abriram espaço para Erik Lira mostrar serviço. Para a segunda função do meio, o desfalque é definitivo: Marcelo Ruiz sofreu uma lesão grave de ligamento e está fora da Copa. Isso abriu caminho para Álvaro Fidalgo, jogador espanhol formado na base do Real Madrid que fez carreira no México (e recentemente foi para o Betis). Fidalgo já é bem conhecido da torcida e oferece muita qualidade no passe e na construção desde a defesa.
A grande esperança de criatividade e o principal símbolo da juventude mexicana é Gilberto Mora. Destaque do Mundial Sub-20 em 2025 e já testado na Copa Ouro, Mora chega à Copa do Mundo com apenas 17 anos com status de potencial titular. Embora exista o debate sobre o peso de colocar tamanha responsabilidade em um jovem em uma Copa em casa, seu talento em espaços reduzidos o credencia para a vaga. Como alternativa para essa função mais avançada ou para as pontas, Aguirre testou Brian Gutiérrez, atleta nascido nos Estados Unidos que se destacou no início de 2026 pelo Chivas.
Nas pontas, Roberto Alvarado é o favorito pelo lado direito, enquanto a ponta esquerda vive uma disputa aberta entre Alexis Vega e Julián Quiñones. Quiñones é colombiano de nascimento, construiu carreira no futebol mexicano e vive grande fase goleadora no Al-Qadsiah, da Arábia Saudita, oferecendo uma verticalidade agressiva que complementa a camisa 9.
A referência central do ataque continua sendo o veterano Raúl Jiménez. Apesar de ter perdido os holofotes por um tempo devido à grave lesão na cabeça sofrida há alguns anos, Jiménez é o titular por sua capacidade de fazer o pivô e dar sustentação ao ataque. O jovem Santiago Giménez, que teve boa passagem pela Holanda mas sofreu para se firmar no Milan e também se lesionou, corre por fora como opção.
Contudo, o grande gargalo tático é a transição defensiva. Quando o bloco avança para pressionar, deixa muito espaço às costas dos volantes, o que se torna um perigo imenso contra os velocistas deste grupo.
África do Sul
A seleção da África do Sul se apresenta nesta Copa do Mundo de 2026 após um hiato considerável. São 24 anos sem conseguir uma classificação dentro de campo — já que em 2010 a participação veio por direito de país-sede — e 16 anos longe do maior palco do futebol mundial. É um retorno pesado do ponto de vista
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